sábado, 24 de outubro de 2015

Custo de vida em Portugal

Recebo muitos emails perguntando sobre o custo de vida em Portugal. Para mim é difícil responder a esse tipo de pergunta sem conhecer a pessoa que pergunta porque, para mim, tudo depende de "como" e "onde" cada um "gosta", "pode" ou "quer" gastar o dinheiro que tem. Escrevi este post para o Brasileiras pelo Mundo e partilho aqui também com vocês.

"Outro dia fui ver as ruínas da Muralha de D. Diniz, muralhas medievais construídas no  tempo em que D. Diniz era Rei de Portugal (1279-1325) e havia também uma exposição sobre o dinheiro. Naqueles tempos medievais, em Portugal, era necessário instituir o valor do dinheiro, do trabalho e dos bens para que, em todos os lugares, se soubesse quanto uma pessoa deveria receber pelo seu trabalho ou quanto custava, por exemplo, um cabrito, uma galinha, um ovo etc. Foi em 1253 que D. Diniz instituiu a lei da almotaçaria. Para quem ainda não sabia, almotaçar é o ato de colocar o preço nas coisas.


E por que estou contando esta história? Porque se naquele tempo era através de uma "Lei" que se colocava o preço nas coisas, hoje em dia o "preço" de determinado produto está ligado à aspectos simbólicos e ao "preço" do país.

Podem ser vários os motivos que levam uma pessoa e/ou uma família a mudar de país. Um dos fatores que preocupa uma pessoa quando emigra é o custo de vida do país que escolheu para viver. A Christine escreveu um texto interessante sobre o tema, a Cintia Beatrice falou sobre o custo de vida na Holanda, a Allane já contou como é em Munique e a Aline já escreveu sobre o custo de vida em Perth.

Custo de vida é um conceito e, como tal, define-se pela soma dos preços pagos pelos diversos bens e serviços que são consumidos pelas pessoas. E, hoje em dia, isso tudo é bastante relativo porque envolve, também, as crenças e os valores dos "consumidores". Por exemplo, há quem não se importe em comprar uma roupa usada numa feira de rua mas existem pessoas que dão valor e só compram roupas com etiquetas de marcas famosas.

Eu vejo muitas pessoas perguntando se com 500 euros, 1000 euros ou outras quantias dá para viver em Portugal. E a resposta é: depende...

Depende do seu tipo de consumo, de quantas pessoas irão depender da quantia disponível, em que bairro/município vão querer viver, etc.  É uma questão muito relativa porque cada pessoa tem as suas necessidades, os seus desejos e as suas expectativas. Uma quantia que dá para uma pessoa e/ou família viver pode não dar para outras pessoas.

Com o atual câmbio com 1 euro valendo mais de 4 reais, muitas pessoas pensam se ganhar 500 euros em Portugal serão mais de 2000 reais. Mas, acontece que não é possível comparar. Se algumas coisas são mais baratas em Portugal, outras são mais caras que no Brasil. Do mesmo modo, depende de qual região de Portugal falamos e de qual cidade do Brasil pois há diferenças entre as cidades brasileiras, além de haver necessidades diferentes em cada país e em cada lugar que se vive.

Quando pensamos em custo de vida temos que pensar em habitação, energia elétrica, água, gás, móveis e utensílios de casa, alimentação, vestuário, transportes, impostos, escolas, saúde, etc. Além dos imprevistos e gastos extras que podem surgir no dia a dia das pessoas.

Por exemplo, em Portugal, o preço da energia elétrica varia em função da empresa que fornece o serviço, do nível da tensão (baixa, média etc.) e também do horário de consumo (tarifa bi-horária) dependendo da potência contratada. Por exemplo, se a potência contratada for de 10,35 kVA, o preço pode variar de 0,353 a 0,436 cêntimos por dia dependendo da empresa fornecedora e do lugar onde se vive. Por exemplo, para uma casa pequena com poucos eletrodomésticos pode-se contratar uma potência mais baixa e pagar uma tarifa menor mas a conta final vai sempre depender do consumo de energia de cada pessoa/família.

Além disso, a conta de energia elétrica também inclui uma "Taxa de Exploração da DGEG", um "Imposto Especial Consumo Eletricidade", "Contribuição Audiovisual" (que financia o serviço público de televisão e rádio) de 5,30€ e IVA (Imposto sobre o Valor Acrescentado) de 23%. Para saber mais sobre preços de energia elétrica e gás natural em Portugal continental veja aqui.

O preço da água também varia de acordo com a empresa fornecedora (normalmente são empresas municipais), o tipo de cliente (dependendo do número de metros cúbicos consumidos) e também do número de moradores da casa (família com 5 ou mais pessoas podem pagar tarifas mais baixas dependendo do consumo). Além disso, a conta de água também inclui taxas de saneamento, taxa RSU (resíduos sólidos urbanos) ou seja, o lixo não reciclável que cada um produz e, ainda, uma taxa de controle da qualidade da água. No município de Lisboa é a EPAL que fornece a água e você pode ver aqui quais são as tarifas praticadas na cidade. Para saber os preços no município de Cascais veja aqui e no município de Almada veja aqui.

Uma das despesas que pesa bastante no orçamento familiar das famílias que moram em Portugal é a renda da casa. (É assim que chamamos o valor do aluguel). O valor do aluguel, do mesmo jeito que no Brasil, varia de acordo com o tamanho da casa/apartamento, com a valorização do bairro e também do município. Por exemplo, morar no município de Lisboa ou na linha de Cascais é mais caro que morar nos municípios da margem sul do Tejo. Viver no interior do país é mais barato que no litoral, morar em apartamento é mais barato que em moradias ou vivendas (casas térreas) e, dentro de cada município, há regiões mais ou menos valorizadas que outras. Casas ou apartamentos com vista para o rio ou para o mar costumam, do mesmo modo, ter renda mais alta!


Só para terem uma ideia, um apartamento com 100 a 150 metros quadrados num bairro bem localizado em Lisboa pode custar a partir de 1000 euros mas esses são raros de encontrar. O mais provável é conseguir um na faixa de 1200 a 1500 euros. Contudo, se uma pessoa morar fora do concelho de Lisboa, encontra imóveis mais baratos e, dependendo do local, a partir de 350-400 euros.

Enfim, em qualquer lugar que você viva, o custo de vida vai depender também do seu tipo de consumo e do quanto de dinheiro disponível você tem para consumir. Se você morar na capital vai sempre gastar mais que numa cidadezinha do interior, isso vale tanto para o Brasil como para Portugal.

Pensem nisso!"

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Horário de inverno 2015

É já no próximo final de semana, de sábado para domingo, que muda a hora em Portugal. Entramos em "horário de inverno".

De acordo com a legislação portuguesa é sempre no último final de semana de outubro que mudamos para o horário de inverno. Sendo assim, os relógios devem ser atrasados em uma hora. Portanto, quando for 02:00h da manhã do dia 25, domingo, em Portugal continental e arquipélago da Madeira atrasamos o relógio para 01:00h. No arquipélago dos Açores quando for 01:00h da manhã, voltamos os ponteiros do relógio para a meia-noite. 

Com o horário de inverno o dia escurece mais cedo, temos menos horas de luz do dia e no auge do inverno o pôr do sol é as 17:15h.

É assim, todos os anos. Não se esqueçam!

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Implantação da República Portuguesa

Hoje falamos um pouquinho de história.

Portugal era uma monarquia até o ano de 1910. No dia 5 de outubro deste ano a monarquia constitucional que governava o país foi destituída e foi implantada a República.

Esta data era feriado nacional. Em 2013 o governo eliminou alguns feriados e este foi um deles...


Esta imagem representa a implantação da República e é uma obra do artista Cândido da Silva.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Feira da Ladra em Lisboa

A feira da ladra é uma feira de antiguidades e velharias que acontece em Lisboa já há muitos anos. Consta que esta feira teve origem ainda na Idade Média e é o mais antigo mercado de Lisboa. Atualmente (e desde 1882) que a feira da ladra funciona no Campo de Santa Clara junto à igreja de São Vicente de Fora e da igreja de Santa Engrácia, o Panteão Nacional.

A feira funciona às terças feiras e aos sábados. Ali você pode comprar uma variedade de produtos como roupas, sapatos, louças, objetos antigos, brinquedos, azulejos, artesanato urbano e muitas coisas mais.

Passear pela feira da ladra é sempre algo imprevisível. Num dia encontramos algumas coisas interessantes e em outros, nada nos chama a atenção.

Se você gosta de mercados de rua e é bom em pechinchar pode comprar objetos interessantes por preços pequeninos. Quando o vendedor te der o preço, ofereça menos. Ele pode até não aceitar e você acabar pagando o preço pedido mas, o mais comum é  você conseguir pagar menos que o preço pedido inicialmente.

Bom passeio! :)